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Governo de SP diz que 94,7% dos voluntários que tomaram vacina chinesa não tiveram efeito colateral

Por Redação em 23/09/2020 às 15:26:47

Na tarde desta quarta-feira (23), o governador do estado de S√£o Paulo, Jo√£o Doria (PSDB), afirmou que 94,7% dos mais de 50 mil volunt√°rios testados na China n√£o apresentaram nenhum efeito adverso à vacina CoronaVac. A Coronavac, imunizante contra a Covid-19 criado pela chinesa Sinovac e que ser√° produzida em conjunto no Brasil pelo Instituto Butantan, se mostrou segura em seu teste da chamada fase 3 em 50 mil volunt√°rios na China.

Os dados do estudo foram apresentados nesta quinta (23) pelo governador João Doria (PSDB), o diretor do Butantan, Dimas Covas, e um representantes da farmacêutica chinesa.

J√° os resultados sobre a efic√°cia, que nas fases anteriores foram considerados satisfatórios, devem estar prontos em novembro. Se esse cronograma se mantiver sem percal√ßos, a expectativa no governo paulista é de uma libera√ß√£o para vacina√ß√£o em dezembro.

Segundo o estudo chinês, houve apenas 5,36% de efeitos colaterais nos participantes do ensaio, todos sem gravidade: dor no local da aplicação (3,08%), fadiga (1,53%) e febre leve (0,21%). Os restantes tiveram perda de apetite, dor de cabeça e febre.

"A seguran√ßa e efic√°cia s√£o dois dos principais fatores para comprovar se uma vacina est√° pronta para uso emergencial na popula√ß√£o. Estamos muito otimistas com os resultados que a Coronavac apresentou até o momento", afirma Covas.

A Sinovac testa seu imunizante em 10 países, e foi aprovada para vacina√ß√£o emergencial no seu país de origem. No Brasil, 5.600 dos 9.000 volunt√°rios em 12 centros de pesquisa de cinco estados e do Distrito Federal j√° receberam ao menos uma dose da vacina.

Se a Coronavac se provar eficaz, S√£o Paulo ir√° protocolar na Anvisa, a ag√™ncia de vigil√Ęncia sanit√°ria do governo federal, um pedido para libera√ß√£o emergencial da campanha de vacina√ß√£o. A expectativa é que isso seja possível j√° no último m√™s do ano.

Apesar de a vacina ser um trunfo político para Doria, advers√°rio do presidente Jair Bolsonaro e potencial rival em 2022, no governo paulista a avalia√ß√£o é de que a Anvisa n√£o ir√° travar o processo de libera√ß√£o.

Ainda n√£o h√° detalhes sobre os estudos e acerca de quais grupos seriam vacinados inicialmente –profissionais de saúde s√£o candidatos óbvios.

Um lote de 5 milh√Ķes de vacinas chegar√° da China em outubro. Até dezembro, haver√° 6 milh√Ķes de doses importadas prontas e outras 40 milh√Ķes formuladas a partir de insumos chineses no Butantan, o que cobre toda a popula√ß√£o paulista.

Outras 55 milh√Ķes de doses devem estar disponíveis no primeiro semestre de 2021. Depois da vacina√ß√£o em S√£o Paulo, se o imunizante estiver aprovado, o plano é ofertar a Coronavac para outros estados e até países da regi√£o.

A nova f√°brica de vacinas do Butantan come√ßar√° a ser construída no m√™s que vem, e ter√° capacidade para produzir 100 milh√Ķes de doses anuais. A distribui√ß√£o fora de S√£o Paulo pode ocorrer em acordos pontuais ou depender de um arranjo com o governo Bolsonaro.

Ocorre que, além da rixa política que pode atrapalhar o plano, o Ministério da Saúde tem um contrato para fabrica√ß√£o na Funda√ß√£o Oswaldo Cruz da vacina inglesa da empresa AstraZeneca e da Universidade de Oxford.

Aí o problema é de outra natureza. A vacina inglesa também est√° em testes da fase 3, mas houve j√° duas interrup√ß√Ķes nos ensaios devido ao surgimento de efeitos colaterais graves localizados em duas pessoas.
Os testes continuam.

A vantagem da Coronavac sobre a inglesa é que ela utiliza uma tecnologia antiga e comprovada para provocar a resposta imune, utilizando o novo coronavírus desativado. É assim que funcionam imunizantes contra a gripe, por exemplo.

J√° a inglesa apostou em uma tecnologia nova, na qual material genético do Sars-CoV-2 capazes de estimular a imunidade s√£o transportadas usando um adenovírus que causa gripe em macacos. Essa técnica é vista como arriscada por um concorrente de ambas as vacinas, o Instituto Gamaleya, da Rússia.

Fabricante da vacina Sputnik V, j√° em produ√ß√£o concomitante a testes, o laboratório usa no seu produto um adenovírus humano para o transporte -algo j√° feito em um imunizante contra o vírus ebola e em tratamentos para c√Ęncer.

Se tudo der certo, S√£o Paulo ser√° um dos primeiros lugares do mundo a ter uma campanha de vacina√ß√£o. contra a Covid-19, que matou 34 mil paulistas até aqui, o maior contingente dos 137 mil óbitos no país. A China e a Rússia pretendem come√ßar suas campanhas antes do fim do ano.

A OMS (Organiza√ß√£o Mundial da Saúde) adota cautela, afirmando que é preciso ter certeza da seguran√ßa e efic√°cia dos produtos com amplos estudos. E diz que uma imuniza√ß√£o global poder√° demorar até dois anos, se n√£o mais.

Fonte: lindomarrodrigues.com

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